domingo, 17 de dezembro de 2023

mPeL_Educação e Sociedade em Rede 2023 - ---Autenticidade e a Transparência na Rede

 

A famosa citação de Salvador Dalí, que desejava uma morte "não totalmente" para perdurar na memória, obtém vida no Museu Dalí em Saint Petersburg, onde uma instalação interativa, baseada na tecnologia de deep fake, traz o pintor de volta à vida.

A tecnologia de deep fake desafia a distinção entre o que é real e o que é gerado digitalmente. Ao criar uma representação virtual de uma figura histórica como Salvador Dalí, a fronteira entre a realidade física e a realidade virtual se torna ofusca.

 


 

A instalação interativa do Museu Dalí não é apenas uma curiosidade tecnológica; ela encapsula a confusão emergente no mundo pós-digital. Uma linha entre o real e o artificial, e entre o passado e o presente.

O exemplo intrigante da interatividade de Salvador Dalí no Museu Dalí serve para se verificar que existe uma janela onde divergem as complexidades do mundo pós-digital. Assim à medida que a tecnologia avança, inicia a busca pela autenticidade isso torna-se um desafio crucial. No cenário de confusão, a transparência, a confiança e a reflexão crítica surgem como pilares essenciais para navegar pelas emaranhadas redes da era digital.

A facilidade com que informações podem ser compartilhadas e manipuladas online contribui para a confusão entre o verdadeiro e o falso. Notícias falsas, desinformação e deep fakes são exemplos de fenômenos que desafiam a capacidade das pessoas de discernir a verdade na era digital

 

É visto que a tecnologia avança, e verifica-se que as fronteiras que antes separavam o mundo real do virtual tornam-se mais fluidas. A interatividade com personalidades digitais, como o caso de Salvador Dalí, exemplifica a fusão entre realidade e simulação, arrojando claridade sobre uma nova era de hipóteses e dilemas.

Verifica-se que este exemplo levanta questões profundas sobre a construção da identidade no mundo pós-digital. Assim as máscaras digitais que criamos, as pessoas que assumimos online.

A confusão na era pós-digital é um fenômeno multifacetado que abrange uma variedade de áreas, incluindo interações sociais, comunicação online, disseminação de informações e construção de identidade digital.

 

A construção da identidade no mundo pós-digital é moldada por máscaras virtuais que criamos. Quem somos nas redes sociais, fóruns e espaços online? A autenticidade da identidade digital levanta questões sobre a verdade por trás das pessoas que assumimos no ciberespaço. Colocamos a questão. Quem somos verdadeiramente por trás delas? Seremos reias ou somos uma farsa?

A transparência é possível, ou estamos destinados a permanecer envoltos na incerteza de quem realmente compartilhamos.

A instalação de Dali não é única na confusão que gera. Como autenticar as imagens digitais que partilhamos? Elas representam a verdadeira essência de quem somos, ou são apenas projeções cuidadosamente construídas? No mundo pós-digital, as imagens que compartilhamos têm o poder de dizer tudo e nada sobre nós.

A busca pela autenticidade transparencia estende-se à informação. Como podemos garantir que a informação que encontramos na rede é autêntica? A transparência dos processos de partilha torna-se crucial, mas quem valida ou autentica a informação? Será a comunidade online capaz de desempenhar esse papel?

A transparência, que se traduz na divulgação clara de processos, intenções e motivações, é essencial para construir e manter a confiança online (Smith, J. "Transparency and Trust in the Digital Sphere", Digital Ethics Quarterly, 7(3), 75-91, 2019)

 

A procura pela autenticidade da informação na internet é desafiadora, mas imperativa. A transparência nos processos de compartilhamento é crucial, levantando a questão fundamental de quem deve validar a informação. Nesse contexto, a sociedade online aparece como a peça-chave.

Num mundo digital saturado de informações, a autenticidade é essencial para construir conhecimento confiável, evitando distorções e preservando a confiança. A transparência, base da confiabilidade da informação, exige que os compartilhadores forneçam contextos claros e citem fontes confiáveis.

A validação pela comunidade online é inovadora, utilizando fóruns, redes sociais e plataformas colaborativas para compartilhar conhecimentos, corrigir imprecisões e validar informações. A verificação colaborativa de fatos e projetos de verificação emergem como ferramentas valiosas, embora desafios como a rápida disseminação de desinformação persistam.

A educação digital é crucial, capacitando os usuários com habilidades críticas para avaliar informações. Na era digital, a busca pela autenticidade exige abordagens colaborativas. A comunidade online, ao promover transparência e educação, desempenha um papel crucial na construção de um ciberespaço mais autêntico e confiável.

A confiança, elemento central nas interações humanas, assume uma nova complexidade no mundo pós-digital. Como podemos confiar na informação e nas identidades que encontramos online? A qualidade da informação e a idoneidade de sua utilização tornam-se desafios fundamentais.

No entanto, a questão persiste: em um mundo onde as fronteiras entre o real e o virtual se dissipam, qual é a verdade que procuramos?

Diante deste desafio a reflexão crítica surge como um escudo vital para os usuários digitais. Habilitados com uma mente crítica e consciente, tornando-se agentes ativos na busca pela verdade e pela promoção de uma cultura digital mais robusta e confiável. Os usuários digitais são chamados a questionar, analisar e discernir a verdade no labirinto de informações e interações. A habilidade de navegar pelas complexidades do mundo pós-digital requer uma mente crítica e consciente.

 Neste novo paradigma, a reflexão crítica não é apenas uma habilidade desejável, mas uma necessidade premente para nova era da informação.

Assim a autenticidade e transparência em rede não são apenas ideais éticos, mas, sim fundamentos essenciais para a construção de relacionamentos digitais significativos e de uma cultura online responsável. Ao abraçar estes princípios, indivíduos e comunidades podem contribuir para um ambiente digital, verificando-se assim que a confiança floresce, promovendo interações mais positivas e duradouras.

"Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade". Artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

 

Referencias Bibliográficas

https://observador.pt/2019/05/11/eua-museu-cria-deepfake-interativo-de-salvador-dali-para-tirar-selfies-com-visitantes/

https://www.tecmundo.com.br/ciencia/138344-vivo-museu-recria-salvador-dali-partir-ia.htm

https://pt.linkedin.com/pulse/era-p%C3%B3s-digital-e-diferen%C3%A7a-entre-dados-informa%C3%A7%C3%A3o-f%C3%A1bio-andrade  

https://youtu.be/Okq9zabY8rI

Garcia, C. 2021  Authenticity in the Digital Age, Journal of Online Ethics, 10(1), 32-48

Brown, A. 2020 Authenticity and Digital Relationships, Cyberpsychology Review, 15(2), 110-128

Smith, J. (2019) Transparency and Trust in the Digital Sphere, Digital Ethics Quarterly, 7(3), 75-91

 

quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

mPeL_Materiais e Recursos para eLearning 2023

 

 

 Esta atividade consiste na apresentação de 3 fontes de recursos educacionais abertos.

GOOGLE ARTS&CULTURE

https://artsandculture.google.com/






Embora esta não seja uma plataforma tradicionalmente educacional, o Google Arts & Culture oferece acesso a uma vasta coleção de recursos educacionais relacionados à arte, história e cultura. Assim podemos realizar visitas virtuais a museus renomados, exposições online e histórias interativas, esta plataforma proporciona uma experiência imersiva e enriquecedora para estudantes e educadores interessados nas artes e na história cultural.
 

ESCOLA VIRTUAL

https://www.escolavirtual.pt/  




A Escola Virtual tem a sua relevância por estar diretamente ligada ao sistema de ensino português. Abrangendo todos os diferentes níveis de ensino (básico e secundário) e oferece recursos digitais interativo nas várias disciplinas, foi feita a adaptação ao currículo nacional e assim esta ferramenta é valiosa para alunos que procuram um apoio adicional ou então apenas uma revisão de conceitos.
 
PLANO NACIONAL DE LEITURA

https://www.pnl2027.gov.pt/np4/recursos?cat=bibliotecas%20e%20livros%20digitais




O Plano Nacional de Leitura em Portugal disponibiliza um Banco de Livros Digitais que contém recursos educacionais abertos relacionados à leitura e literatura. Estes  recursos podem ser práticos para apoiar o ensino da língua portuguesa e assim promover a literacia nos diferentes níveis de ensino.


sexta-feira, 24 de novembro de 2023

mPeL_Modelos de Educação a Distância 2023

 

Após a leitura do texto

Aires, L. (2016).  E-Learning, educação online e educação aberta: contributos para uma reflexão teóricaRIED, Vol. 19, nº 1, pp. 253-269.

Retirei as seguintes conclusões:

A Educação Aberta Online, reconhecendo o impacto transformador na sociedade do conhecimento, integra princípios da educação aberta com o ambiente online, aproveitando as oportunidades das tecnologias digitais, fundamentado em revisões literárias, destaca autores influentes na teoria da educação a distância online.

O e-Learning é abordado como parte de uma nova ecologia educativa, variando de ênfase tecnológica à inclusão de processos de ensino online. A Educação Online é examinada, enfocando a complexidade da definição, desde a perspetiva tecnológica até a ênfase na interação e aprendizagem ativa. A Educação Aberta Online é apresentada como movimento crucial para o século XXI, incorporando valores de abertura, ética da participação e colaboração.

Os Massive Online Open Courses (MOOCs) são destacados como expressões significativas, exigindo a reavaliação de conceitos tradicionais. Seu histórico está ligado aos ideais iluministas de liberdade, democracia e igualdade. A década atual é denominada "década aberta". Downes (2013) aborda as ambiguidades do termo "abertura". Deimann e Farrow (2013) veem a educação aberta contemporânea como fusão de tecnologias digitais, literacia online e inovação pedagógica, propondo compromissos, incluindo a promoção da gratuidade do conhecimento. A discussão abrange os Recursos Educacionais Abertos (OER), associados aos "4 Rs": reusar, redistribuir, revisar e remixar. McGreal (2013) argumenta que os riscos apontados por Bates (2011) não são exclusivos dos OER.

quinta-feira, 9 de novembro de 2023

mPeL_Educação e Sociedade em Rede 2023


 

 


Exposição de uma interpretação sobre a noção de cibercultura, tal como defendida por Lévy, esta  inclui a indicação de três exemplos significativos.

A cibercultura é um termo utilizado para descrever o conjunto de fenômenos culturais associados às transformações trazidas pelas tecnologias digitais, em especial a internet. Pierre Lévy, filósofo francês, é um dos teóricos que contribuiu significativamente para a compreensão desse conceito. Aqui estão alguns aspectos-chave da cibercultura:

                   Transformações nas Formas de Comunicação

  Interconexão Digital

 Produção Colaborativa de Conteúdo

Construção de Identidades Digitais

Ciberespacialidade

Criação e Compartilhamento de Meme

Descentralização da Informação

Lévy refere que:

“interconexão condiciona a comunidade virtual, que é uma inteligência coletiva em potencial. (Lévy, p133)1

Importa então compreender o conceito de ciberespaço e segundo Lévy:

“O ciberespaço é o novo meio de comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores. O termo específíca não apenas a infraestrutura material da comunicação digital, mas também o universo oceânico de informações que ela abriga, assim como os seres humanos que navegam e alimentam esse universo. (Lévy, 1999, p22)1

A cibercultura é dinâmica e continua a evoluir à medida que novas tecnologias emergem e as interações digitais se desenvolvem. Essa perspetiva busca entender não apenas como as tecnologias digitais impactam a sociedade, mas como a cultura se adapta e se transforma nesse contexto.

A noção de cibercultura, conforme defendida por Pierre Lévy, refere-se ao conjunto de práticas, representações, símbolos, valores, modos de expressão e sociabilidades que emergem no contexto da interconexão global proporcionada pelas tecnologias de informação e comunicação, especialmente a internet. Lévy explora a influência das tecnologias digitais na cultura contemporânea e destaca a importância da cibercultura na formação de identidades e na maneira como as pessoas se relacionam com o conhecimento e a comunicação.

Três exemplos que ilustram a cibercultura, de acordo com a perspetiva de Lévy, são:

1.    Redes Sociais Online: As plataformas de redes sociais, tais como o Facebook, Twitter, Instagram e outras, são demostrações proeminentes da cibercultura. Estas modificaram a forma das pessoas se conectar e compartilhar informações, são construídas identidades digitais que participam em comunidades online.

2.    Cultura de Meme: A propagação viral de memes na internet exemplifica a cibercultura, pois reflete a rápida disseminação de ideias, imagens e humor através das redes digitais.

3.    Crowdsourcing e Colaboração Online: Iniciativas de crowdsourcing e colaboração online, como o desenvolvimento de projetos de código aberto, a criação de conteúdo colaborativo na Wikipedia e a resolução coletiva de problemas através de plataformas online, são exemplos de como a cibercultura promove a colaboração global e o compartilhamento de conhecimento.

Esses exemplos demonstram como a cibercultura não apenas impacta a forma como as pessoas se relacionam digitalmente, mas também influencia profundamente a produção cultural, a comunicação e a colaboração na era digital.

Referências

Lévy, Pierre. (1999). Cibercultura. Tradução: Carlos Ireneu da Costa. São Paulo. Edições 34

Youtube. (2017, maio 15). A compreensão do conceito de cibercultura segundo Pierre Lévy. [vídeo]. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=RsUo5syNbL0 [acedido ultima vez em 10 novembro 20123]